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O Brasil do terrorismo verde e amarelo não precisa de mais uma foto que sugere Lula assassinado

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Ilustração: Nicholas Steinmetz para o Intercept Brasil

Tem um Ć”udio-meme bastante conhecido nas redes, no qual um homem, usando um tom meio irado, pergunta: ā€œTu tava fora do Brasil, irmĆ£o?ā€ Eu fui esse cara nos Ćŗltimos dias, quando boa parte do debate na internet – e fora dela – se concentrou em uma fotografia publicada na capa do jornal Folha de S.Paulo. Nela, vemos Lula arrumando a gravata e sorrindo, de cabeƧa meio baixa. Entre ele e nosso olho, hĆ” uma vidraƧa estilhaƧada na altura do coração do presidente por uma nĆ£o presente, mas sugerida, bala. A foto Ć© resultado de uma tĆ©cnica chamada mĆŗltipla exposição, uma espĆ©cie de sobreposição de imagens que resulta na criação de outra. A montagem foi feita pela fotojornalista Gabriela Biló.

Diversas questões foram levantadas ali: se era jornalismo, se era arte, se era drama da esquerda, se ia parar nos zaps da direita, se era boa, se era ruim, etc. Em vÔrios desses comentÔrios, eu virava o cara meio puto e perguntava: tu tava fora do Brasil, irmão?

Isso porque os rumos da conversa coletiva muitas vezes insistiam – e insistem – em desconsiderar o óbvio: vivemos hoje em um paĆ­s conflagrado. Um paĆ­s no qual, naquela mesma quinta, 19 de janeiro, a PolĆ­cia Federal se preparava para iniciar uma operação visando prender financiadores e fomentadores do terrorismo visto em BrasĆ­lia no dia 8.

ā€œNĆ£o Ć© possĆ­vel que nĆ£o tenha uma bala perdida para acertar o Lula, nĆ£o, gente? Pelo amor de Deus, uaiā€. ā€œTem que botar pra quebrar mesmo! Ter guerra civil mesmo! Matar gente, fechar o Senado, fazer uma zona mesmoā€. Esses dois Ć”udios, enviados para grupos bolsonaristas, sĆ£o de Randolfo AntĆ“nio Dias, uma das cinco pessoas presas na sexta, 20.

Pergunto: Ć© possĆ­vel ler a fotomontagem desconsiderando o que acontece agora no paĆ­s? Ɖ possĆ­vel observĆ”-la sem entender que atrĆ”s daquela vidraƧa nĆ£o estĆ” somente Lula, mas milhƵes de pessoas expostas a um ambiente supersaturado de violĆŖncia? De que imagens um paĆ­s onde as duas Ćŗltimas eleiƧƵes foram as mais violentas da sua história precisa? De que imagens um paĆ­s que acaba de ter as sedes de seus trĆŖs poderes destruĆ­das com a conivĆŖncia das ForƧas Armadas necessita?

Apesar de ter sido publicada recentemente, a fotografia do presidente enquanto alvo nĆ£o Ć© novidade. Antes, Ć© a continuidade de uma forma especĆ­fica de representar principalmente – mas nĆ£o só – lĆ­deres progressistas na imprensa brasileira.

Em 2016, ficou famosa uma capa da revista Veja na qual vemos, sob um fundo totalmente vermelho, a cabeƧa de Lula se desfazendo. Copiavam abertamente uma capa publicada em 2011 pela revista norte-americana Newsweek, que noticiava a morte do ex-chefe de estado libanĆŖs Muammar Kaddafi, assassinado pela população. A Veja achou uma boa ideia, no ano do impeachment de Dilma e em plena fervura da sopa de ódio ao PT, imitar a arte com a cabeƧa decapitada e sanguinolenta do ditador linchado para fazer referĆŖncia ao hoje presidente do Brasil. Justificou cinicamente a escolha falando do ā€œderretimentoā€ do ex-metalĆŗrgico, tentando minimizar o discurso de violĆŖncia da imagem original.

Também ficaram conhecidas duas imagens da ex-presidente Dilma Rousseff. Na primeira, feita em 2011 por Wilton Júnior, ela aparece como se fosse transpassada por uma espada, ilusão de ótica captada durante um evento militar; na segunda, feita por Dida Sampaio em 2016, a ex-chefe de estado surge como se estivesse sendo engolida por chamas. Participava de uma cerimÓnia do acendimento da tocha olímpica. Ambas foram publicadas no Estadão e renderam elogios, críticas e, no caso de Júnior, um prêmio internacional.

A naturalização da violĆŖncia extrema contra lĆ­deres petistas versus o discurso pela democracia dos jornais brasileiros: estudo de caso – e de perversĆ£o (@Estadao e @folha) pic.twitter.com/gNAldrxJD5

— fabiana moraes (@fabi2moraes) January 19, 2023

Nós sabemos que, infelizmente, as mortes ou sacrifĆ­cios simbólicos dos dois lĆ­deres petistas nĆ£o se resumiram – antes fosse – Ć  imprensa. O caldo de ódio foi sendo engrossado e consumido cotidianamente em todo paĆ­s. Vale lembrar alguns casos: em 2015, o policial federal Danilo Balas (isso mesmo, Balas) mostrou sem constrangimentos nas redes sociais que praticava tiro usando como alvo um desenho de sua chefe, Dilma. No mesmo ano, o advogado Matheus Sathler, que havia se candidatado, sem sucesso, ao cargo de deputado federal pelo PSDB do Distrito Federal, gravou um vĆ­deo dizendo que a presidente seria decapitada caso nĆ£o renunciasse. ā€œNós vamos arrancar sua cabeƧa e fazer um memorialā€, ameaƧou. Foi tambĆ©m em 2015 que adesivos em carros mostravam a entĆ£o presidente, em um dos maiores shows de misoginia coletiva vistos no paĆ­s, sendo penetrada por uma mangueira de gasolina.

Mesmo depois da deposição de Dilma, o desejo de morte contra sua figura serviu para capitalizar muita gente: em 2017, na loja Sniper, em Pernambuco, homens, mulheres e crianƧas ā€œbrincavamā€ de atirar usando como alvos desenhos de Lula e Dilma. No mesmo ano, alguns meses depois da publicação da capa da Veja com a cabeƧa do atual presidente, a marca LibertĆ”ria lanƧou uma camiseta com esta estampa:

Em 24 de janeiro de 2018, dia do julgamento de Lula em segunda instância, O Globo publicou esta capa:

O fomento e a naturalização do desejo de morte voltado para duas figuras extremamente midiĆ”ticas transbordou e, como nĆ£o poderia deixar de ser, sobrou para nós, sociedade. Bastava mostrar alguma ligação positiva com Lula ou Dilma para que muita gente virasse, tambĆ©m, alvo. No mesmo 2018 da capa acima, ano no qual o Brasil escolheu Bolsonaro presidente, vimos uma sĆ©rie de ataques e assassinatos em praƧa pĆŗblica: a própria Folha publicou uma matĆ©ria sobre aquelas que foram consideradas as eleiƧƵes mais violentas da nossa história. ā€œA maioria envolve ataques de apoiadores de Jair Bolsonaro (PSL) contra gays, mulheres e pessoas vestindo sĆ­mbolos da esquerda, como bonĆ©s do MST ou camisetas do PTā€, diz o texto.

Como o tempo mostraria, 2022 seria ainda mais violento, e a sƩrie de ataques e assassinatos vitimaram predominantemente, de novo, pessoas que expressaram voto no PT. Os casos se multiplicaram: no Recife, um carro com uma bandeira de Lula foi alvejado, e um apartamento com bandeira do PT foi metralhado. Em Foz do IguaƧu, Marcelo Arruda foi assassinado no dia do seu aniversƔrio pelo policial penal bolsonarista Jorge JosƩ da Rocha Guaranho; em Mato Grosso, Benedito Cardoso dos Santos, que votaria em Lula, levou 17 facadas de Rafael Oliveira, que votaria em Bolsonaro. Rafael tentou decapitar Benedito.

Não é fÔcil fazer esse passeio por tanta ameaça, morte, sangue, faca e bala. Mas para mim ficou claro, na discussão sobre a imagem jÔ histórica de Gabriela Biló, como minimizamos, tanto imprensa quanto população, a barbÔrie na qual nos metemos. A diferença é que a primeira tem a primazia de produzir e difundir as imagens. Não é possível ler a fotomontagem com Lula sem ler a história recente do Brasil. Nele, circulam milhares de armas entre civis e funcionam centenas de células nazistas. Nele, foi enterrado recentemente, em Belo Horizonte, o corpo de Luana Rafaela Barcelos, uma menina de 12 anos baleada pelo bolsonarista Ruan Nilton da Luz enquanto sua família celebrava a vitória de Lula. Luz ainda matou Pedro Henrique Dias, de 28 anos. Atirou em outras três pessoas.

Ɖ possĆ­vel analisar a foto de Gabriela, sem dĆŗvida uma ótima profissional, sem lembrar desse som ao redor? Ɖ possĆ­vel discutir a imagem escolhida pela editoria de primeira pĆ”gina da Folha desconsiderando a peculiar e histórica mĆ” vontade dos veĆ­culos de mĆ­dia com partidos progressistas? Por qual razĆ£o os jornais brasileiros estĆ£o em quase silĆŖncio sobre as ForƧas Armadas, que vergonhosamente nĆ£o repudiaram os ataques em BrasĆ­lia? Por qual razĆ£o as fotos e nomes dos comandantes militares antidemocrĆ”ticos, servidores pĆŗblicos da nação, seguem protegidos e nĆ£o aparecem com frequĆŖncia nas primeiras pĆ”ginas?

Discorrer sobre se a imagem montada é arte ou não é vÔlido e rende um ótimo samba, mas agora, agorinha mesmo, tem uma parcela das Forças Armadas, das polícias e do empresariado brasileiro de olho na cadeira de um presidente eleito democraticamente. E eles mostraram, no dia 8 de janeiro, na bomba instalada em um caminhão que deveria explodir em um aeroporto, nos ataques no dia da diplomação do chefe do Executivo, que não estão brincando. Vi muita gente simplesmente esquecer que os memes e a doidera verde-amarela também matam e espancam. Deve ser o mesmo pessoal que só descobriu a desigualdade social do país durante a pandemia. Sobre tudo isso, tenho apenas uma pergunta: tu tava fora do Brasil, irmão?

A falsa simetria continua

Em diversos momentos, a foto criada por Biló foi comparada a imagens que também sugerem violência, mas com figuras da extrema direita, como Bolsonaro e Sergio Moro. Duas delas, inclusive, foram feitas pela fotógrafa: uma mostra o ex-presidente fazendo o gesto de arminha em direção a Moro. A outra, que nos remete à imagem de Dilma na cerimÓnia militar, dÔ a impressão de que Bolsonaro estÔ a um passo de ter o pescoço ferido pela fina ponta de um suporte de bandeira.

23 10 2020 O presidente Jair Bolsonaro em cerimƓnia na Base aƩrea pic.twitter.com/gbZ6ozKvTr

— Gabriela Biló (@gabrielabilo1) October 23, 2020

Comparar essas imagens com aquela criada por Biló e publicada na capa da Folha implica em dois grandes erros. O primeiro é o fato óbvio de ambas se valerem de uma construção da fotógrafa (o recorte, o ângulo, etc.) a partir de fatos que aconteceram; a de Lula, como dito, é resultado de uma múltipla exposição feita para criar aquilo o que não aconteceu. Nessa constatação, não hÔ qualquer juízo de valor: diferente de muitos colegas jornalistas e pesquisadores que respeito, sustento que jornalismo pode, sim, ser arte, uma vez que arte não é sinÓnimo de ficção. Se faz arte no jornalismo a partir da realidade: nas imagens, nas escolhas das palavras, no estilo adotado, na edição, nas múltiplas formas de publicizar a informação (o que dizer, por exemplo, das reportagens feitas em quadrinhos, como as de Joe Sacco ou Pablito Aguiar?).

Mas o fato é que mesmo uma ilustração, caricatura, colagem ou qualquer outra técnica que sugerisse uma bala dirigida ao coração do presidente de um país conflagrado e estivesse estampada hoje na capa de um jornal seria igualmente desnecessÔria. Não só: irresponsÔvel, como é o caso da escolha editorial da Folha, cuja obediência ao próprio manual mostrou-se bastante singular.

Explico: quando foi questionado por seguidamente poupar o ex-presidente Bolsonaro da pecha de extremista de direita, o jornal usou o manual de redação como defesa. Segundo as normas internas, somente movimentos polĆ­ticos violentos poderiam ser adjetivados como radicais. Falei a respeito nesta coluna. Mas, para sugerir a bala no peito de Lula, esse mesmo manual foi contrariado. Como lembrou o jornalista e escritor Lira Neto, o guia diz: ā€œSĆ£o proibidas adulteraƧƵes da realidade retratada, tais como apagar pessoas ou alterar suas caracterĆ­sticas fĆ­sicas, eliminar ou inserir objetos e mudar cenĆ”riosā€.

Voltando às comparações: o segundo e maior erro na tentativa de equalizar as fotos de Bolsonaro e Moro com a de Lula é que, diferente do último, os primeiros em nenhum momento tiveram suas vidas ameaçadas com apoio da própria institucionalidade governamental brasileira, a saber, membros das Forças Armadas, Polícia Federal e Polícia RodoviÔria Federal, sem falar nas polícias militares, estaduais. Em nenhum momento Bolsonaro sofreu uma ameaça de golpe. Em nenhum momento sua diplomação foi transformada em praça de guerra. Em nenhum momento grupos de empresÔrios se reuniram para contratar um sniper para matar Bolsonaro ou Moro, como aconteceu com Lula. Em nenhum momento jornalistas e cinegrafistas foram perseguidos e achincalhados por turbas de eleitores de esquerda, centro, ou centro-esquerda.

Boa parte do assombro de quem criticou a imagem de Biló vem dessa percepção, e nĆ£o de uma militĆ¢ncia cega e sem capacidade de anĆ”lise, como alguns boƧais sugeriram nas redes. AliĆ”s, o que surgiu de arrogĆ¢ncia nesse debate tambĆ©m fica registrado. Teve gente querendo limitar a conversa a especialistas, como se as fotos circulassem apenas entre intelectuais, ā€œsemiólogos consagradosā€ e ā€œjornalistas de renomeā€, e nĆ£o para um pĆŗblico bem mais heterogĆŖneo que tem autonomia e direito de se expressar.

Em um paĆ­s que acaba de sofrer um duro golpe em sua jĆ” esgarƧada democracia – e democracia comeƧa com a gente vivo e sem medo de levar tiro – Ć© preciso redobrar o olhar sobre aquilo que Ć© produzido e publicizado. Nós, jornalistas, somos filtros e intermediamos o que acontece entre o ā€œlĆ” foraā€ e o pĆŗblico. Nossas escolhas nunca foram, e nunca serĆ£o, inocentes. E, se sĆ£o editores e afins que determinam o que vai ser noticiado, sĆ£o repórteres, fotógrafos e fotógrafas que, antes de produzir e oferecer material, devem refletir como seus textos, argumentos e imagens serĆ£o repercutidos – e principalmente ao que vĆ£o servir. Pode ser que ajudem um pai e uma mĆ£e a celebrar em paz a vitória de um candidato e nĆ£o ver a filha ser assassinada.

Pode ser que não.

O Observatório de Ɖtica JornalĆ­stica (Objethos/UFSC) fez um interessante artigo sobre o presidente Lula e as capas da Veja, aqui.

Eu e Moacir dos Anjos escrevemos um artigo sobre jornalismo e arte para a Lumina, Revista do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora.

AnÔlise: Ana Lira, fotógrafa

Por seis anos, um dos meus principais trabalhos, Voto!, foi dedicado a observar como a população brasileira materializava a sua raiva dos políticos e da política nacional ao rasgar, riscar e deteriorar os cartazes de propaganda política colados nas paredes das cidades.

Um episódio, porĆ©m, mudou toda a trajetória do trabalho e balanƧou bastante a minha relação com este princĆ­pio da fotografia que diz ā€œclica primeiro e pensa depoisā€: eu encontrei um cartaz da campanha de Dilma Rousseff vandalizado de uma forma tĆ£o violenta que nem consegui levantar a cĆ¢mera. Meu corpo doeu e eu fiquei paralisada, na frente da imagem, diante da quantidade de ódio que estava expressa nela.

Essa imagem me fez repensar o que faz realmente uma pessoa com uma câmera na mão. O que é isso que chamamos de fotojornalismo e fotografia documental? O quanto nossa relação corpo-câmera, diante da pressão e da competitividade para sermos inseridos entre grandes fotógrafos no mundo, acaba sendo canal de fluxo para as violências do inconsciente coletivo e do próprio circuito do fotojornalismo, que sequer temos tempo para avaliar que narrativa histórica é essa que estamos construindo.

Uma foto é boa porque fomos perspicazes e espertos? O que o fotojornalismo e a fotografia documental premiam é a capacidade de construir narrativas transformadoras ou premiam a competição entre corpos-lentes para ver aqueles que conseguem traduzir com mais propriedade seus fetiches de extermínio de quem parece inimigo do status quo colonial? Eu digo isso, porque fotojornalistas quase nunca se perguntam a que os seus inconscientes coletivos respondem.

A pressĆ£o das redaƧƵes e o frisson ā€œda boa fotoā€ nĆ£o permitem que essa pergunta seja feita. Muito menos, quando consideramos que a ā€œa boa fotoā€ para o editor leva Ć  capa, a capa leva aos prĆŖmios e os prĆŖmios talvez levem a uma seguranƧa financeira que permite que se tenha verba para comprar uma cĆ¢mera nova quando a atual quebrar, jĆ” que no Brasil do euro e do dólar passando dos R$ 5, equipamento fotogrĆ”fico e ouro sĆ£o a mesma coisa.

Mas nĆ£o Ć© possĆ­vel ficar nessa retórica da foto boa e premiada em pleno 2022, depois de quase sofrermos um golpe de estado que, sĆ©rio, estĆ” sendo anunciado hĆ” vĆ”rios anos. Dito isso, o que mais me chama atenção no debate sobre a imagem do Lula, feita pela Gabriela Biló, na Folha de S.Paulo, Ć© o quanto ela manifesta o inconsciente coletivo do próprio veĆ­culo e sua narrativa histórica sobre o atual presidente. A questĆ£o nĆ£o recai somente sobre Biló fazer a imagem, mas sobre como a Folha utiliza essa imagem para reforƧar, junto com todas as outras que publicou nas Ćŗltimas cinco dĆ©cadas, o seu enredo histórico de rejeição a Lula. O tĆ­tulo que diz ā€œNo foco de Lula, presenƧa militar no Planalto Ć© recordeā€ nĆ£o se conecta com a imagem, porque um bom editor sabe construir seu discurso nas entrelinhas. O que se conecta com a imagem Ć© o subtĆ­tulo que diz: ā€œAtĆ© novembro, havia 1.231 membros das ForƧas Armadas cedidos Ć  PresidĆŖncia, 13 sĆ£o exonerados do GSI, alvo da desconfianƧaā€.

O tiro vem como resposta, porque Lula ri de ter impedido o golpe e desbaratado os esquemas do GSI dentro do próprio Planalto. E a editoria ā€œespertaā€ brinca com a expressĆ£o ā€œalvo da desconfianƧaā€ ao associar esse jogo de palavras a uma imagem em que Lula Ć© o alvo. O inconsciente coletivo vibra ao manter seu desejo narrativo, e Gabriela Biló acha que o problema Ć© sobre ā€œhateā€. NĆ£o Ć© mesmo.

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